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Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)

Anos 80

Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)

A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) é o processo por meio do qual alguns gêneros de bactérias captam o nitrogênio presente no ar, tornando-o assimilável pelos vegetais. Essa verdadeira fábrica biológica é capaz de suprir as necessidades das plantas, substituindo parcial ou totalmente a adubação nitrogenada, com maior rendimento, melhor fertilidade do solo e menor emissão de gases de efeito estufa. 

A pesquisa agropecuária brasileira já identificou dezenas dessas bactérias, capazes de fornecer nitrogênio a plantas como a soja, o feijoeiro, a alfafa, o amendoim forrageiro, a algaroba, entre outras. Mas o exemplo de maior impacto econômico para o país é o da soja. A FBN está em 100% dessa cultura no Brasil. 

Pode-se afirmar que o sucesso da soja no país está relacionado ao processo de fixação biológica, realizada por bactérias fixadoras de nitrogênio no solo ou adicionadas via inoculantes. A tecnologia é hoje adotada em cerca de 24 milhões de hectares de lavouras de soje e sua utilização resulta em uma economia anual em torno de US$ 7 bilhões. 

Outro exemplo importante da utilização da tecnologia é nas lavouras de feijão. A inoculação com bactérias selecionadas pela pesquisa tem resultado em rendimentos com o dobro da média nacional, o que pode gerar uma economia anual de 500 milhões de dólares. A tecnologia também já está disponível para gramíneas como o milho, o trigo e o arroz e está em fase de testes com a cana-de-açúcar e a braquiária. 

A grande pioneira na realização de pesquisas na fixação biológica de nitrogênio na Embrapa foi a agrônoma de origem tcheca e naturalizada brasileira Johanna Döbereiner, que atuou na Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ). Suas pesquisas com a bactéria Rhizobium revolucionaram e aprimoraram a soja tropical brasileira quando poucos cientistas acreditavam que a fixação biológica de nitrogênio. 

Em 2012, a pesquisadora Mariângela Hungria da Cunha, da Embrapa Soja (Londrina, PR), discípula de Johanna Döbereiner, foi agraciada com o Prêmio Frederico de Menezes